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ALHO

                                                                            BRASIL                                                           Epagri 2002

....... CONSULTE NOS PARA IMPORTAÇÃO DE ALHO NATURA, NOVA SAFRA DA CHINA....">

 

Aspectos Econômicos da Cultura do Alho

Admir Tadeo de Souza
Epagri/Cepa - Centro de Estudos de Safras e Mercados*




Panorama Nacional

A produção nacional, em crise a partir de 1994, depois que se iniciou a entrada de alho chinês em nosso mercado, começou a ressurgir na última década, a ponto de vislumbrar-se, a médio prazo, a auto-suficiência nacional do produto.

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Motivados pela forte desvalorização do real em relação ao dólar, que restabelecia substancialmente a capacidade competitiva do alho brasileiro, amparados pela pesquisa tecnológica que ano após ano tem permitido estabelecer novos recordes em produtividade, principalmente nas duas maiores regiões produtoras do País (Sul e Centro-Oeste) e ainda apoiados pela assídua participação das associações estaduais e nacional de produtores, os alhicultores em todo o Brasil foram à luta e conseguiram reverter o quadro, tanto em quantidade quanto em qualidade da produção, superando volumes conseguidos na década de 90, conforme gráfico 2.

A oferta nacional, antes concentrada na Região Sul, apresenta-se com uma melhor distribuição. São produtores de vários estados da Federação participando do comércio nacional e dispostos a recuperar o mercado antes dominado por argentinos, chineses, espanhóis, mexicanos, etc. A tabela 1 mostra a área plantada, a produção e o rendimento médio das lavouras em cada estado brasileiro e seu significativo aumento, ocorrido principalmente nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Distrito Federal, onde o aumento de produtividade, notadamente em razão do maior uso de tecnologias já consagradas, como utilização de semente de qualidade, vernalização, irrigação com pivô central e adensamento do cultivo, além da dedicação dos alhicultores, tem sido uma constante a cada nova safra.

 TABELA 1 - ÁREA, PRODUÇÃO E RENDIMENTO MÉDIO DE ALHO NO BRASIL NAS SAFRAS 2000 E 2001

ESTADOS

ÁREA (ha)

PRODUÇÃO (t)

RENDIMENTO (Kg/ha)

2000

2001

2000

2001

2000

2001

Piauí

36

23

162

88

4.500

3.826

Ceará

27

29

91

90

3.370

3.103

Paraíba

14

15

64

52

4.571

3.467

Bahia

1.277

1.394

8.462

11.873

6.626

8.517

M. Gerais

1.922

2.508

11.017

20.413

5.732

8.139

E. Santo

684

414

4.550

2.673

6.652

6.457

S. Paulo

193

245

1.283

2.005

6.648

8.184

Paraná

645

694

2.451

3.331

3.800

4.800

S. Catarina

2.793

2.793

20.827

20.909

7.457

7.486

R. G. Sul

4.142

4.347

24.419

25.695

5.895

5.911

Goiás

1.536

1.450

10.206

12.310

6.645

8.490

D. Federal

115

323

683

2.711

5.939

8.393

TOTAL

13.384

14.235

84.215

102.150

6.292

7.176

FONTE: IBGE. 

Salutar para os produtores, para os consumidores e também para a economia nacional, tem sido a queda nos volumes das importações de alho. A cada ano é menor a dependência de alho de outros países e esta tendência, como se apresenta no gráfico 3, leva a crer que a tão almejada auto-suficiência esteja bem próxima, ou, quem sabe, se esteja até mesmo perto do início das exportações brasileiras de alho. Outro resultado positivo da crescente participação nacional no abastecimento interno tem sido a expressiva redução dos preços médios do produto internalizado. Há, em alguns casos, importações que tiveram suas cotações 40% menores (Tabela 2).

TABELA 2 - PREÇOS MÉDIOS DAS IMPORTAÇÕES DE ALHO
(US$/kg)

PAÍS

1998

1999

2000

2001

Argentina

1,06

0,84

0,63

0,66

China

1,00

0,72

0,67

0,60

Espanha

1,03

0,74

0,60

0,63

Outros

1,05

0,85

0,69

0,71

TOTAL

1,05

0,80

0,63

0,65

FONTE: Secex/Decex.

Panorama Estadual

As lavouras catarinenses apresentaram, na última safra, alguns problemas em decorrência de ações climáticas, determinando uma produção um pouco menor que a do ano anterior. O frio fora de época (que ocasionou a rebrota em muitas lavouras) e a chuva durante a fase de colheita (que obrigou os produtores a uma maior movimentação do produto durante a secagem) de certa forma inibiram a evolução da produção estadual na temporada e influíram diretamente na perda de qualidade do alho colhido no estado, fazendo com que boa parte da produção se destinasse à indústria. Mesmo assim, Santa Catarina continua sendo o segundo maior produtor nacional e aumentou de 23,7% para 25,9% sua participação na oferta brasileira do produto, além de ser o principal fornecedor de alho-semente para as regiões centrais do País.

A tabela 3 mostra a área plantada, a produção e a produtividade das lavouras no estado, bem como a vertiginosa queda em 1995, por ocasião da entrada de alho chinês no mercado nacional, sem restrições quanto a volumes e época de internalização. Mostra, também, a notável recuperação da produção e do rendimento médio das lavouras, cuja performance é atribuída à dedicação dos produtores, graças à constante preocupação dos órgãos de pesquisa estadual, da Associação Nacional e Catarinense dos Produtores, da Cooperativa dos Produtores de Alho e do Serviço de Extensão Rural do estado, em incentivá-los no uso das novas tecnologias disponíveis.

TABELA 3 - ALHO - EVOLUÇÃO DA ÁREA, PRODUÇÃO E RENDIMENTO MÉDIO EM SANTA CATARINA (1994-2001)

ANO

ÁREA 
(ha )

PRODUÇÃO 
(t)

RENDIMENTO 
(kg/ha)

1994

4.700

24.303

5.171

1995

2.373

10.696

4.507

1996

2.702

15.019

5.558

1997

2.857

14.588

5.110

1998

2.180

14.156

6.494

1999

2.375

16.421

6.914

2000

2.793

20.909

7.486

2001

2.816

20.724

7.359

FONTE: IBGE.

O mercado não apresentou, em termos de valores de comercialização, a notável recuperação constatada no ano 2000, como se pode observar no gráfico 4, porém remunerou satisfatoriamente ao produtor e foi altamente positiva na rapidez do escoamento da produção. Em poucos meses se deu a venda da quase totalidade do alho produzido no estado.

Quando se comparam os custos de produção do alho de maio/97 com o de fevereiro/02, verifica-se que o custo variável foi o que mais aumentou (34,76%), enquanto a variação no custo fixo foi quase a metade (15,19%), conforme o gráfico 5. Tais percentuais foram bastante inferiores às variações ocorridas nos índices inflacionários do País para o mesmo período - IGP-DI, cuja variação foi de 74,70%, e do IGPM, 76,03%, ambos calculados pela Fundação Getúlio Vargas.Os aumentos nos custos de produção, portanto, estiveram abaixo da inflação do período.

Da mesma forma, comparando as variações nos custos de produção acima colocados com o Índice de Preços Recebidos (IPR) pelos produtores catarinenses de alho, que variou 39,69% no período maio/97-fev/02, verifica-se que esta variação foi bastante semelhante à dos custos. Desse modo, pode-se concluir que estes produtores, especificamente, tiveram um ganho, embora pouco significativo, com a venda de seus produtos neste período (Gráfico 6).

Contudo, quando se compara a variação do mesmo IPR (114,29%) com a variação do Índice de Preços Pagos (121,51%) – IPP - pelos produtores de alho desde agosto/94, já se observa uma pequena perda financeira para aqueles produtores. Esta perda, entretanto, é inexpressiva, em relação à de outros produtos, como o arroz e a mandioca, por exemplo. Para visualizar estes dados, basta consultar as tabelas específicas do IPP e IPR que constam nesta publicação.

A participação do valor bruto da produção (VBP) da cultura na formação do VBP estadual - após uma queda brusca em 1995, em função da redução na área plantada, decorrente das importações do produto - tem sido crescente desde 1995, com uma aumento expressivo em 1999. Em 2000, houve uma pequena diminuição na participação do VBP do alho, devido a fatores climáticos que afetaram sua produção, tornando-a um pouco menor que a produção do ano anterior (gráfico 7).

Para a próxima temporada, tendo em vista os preços de mercado e as facilidades de venda; o declínio dos volumes importados e o maior controle governamental sobre essas importações; a maior qualidade de nossa produção e, em conseqüência, a maior competitividade para o setor, os produtores catarinenses e brasileiros deverão estar mais motivados e dispostos a investir mais na atividade. Em Santa Catarina, a expectativa inicial é de um aumento na área plantada em cerca de 10%, devendo chegar a pouco mais de 3.000 hectares, o que poderia elevar a produção estadual para cerca de 24 mil toneladas.


O Centro de Estudos de Safras e Mercados - Cepa é um centro especializado em informação e planejamento para o desenvolvimento agrícola, pesqueiro e florestal de Santa Catarina, localizado junto à Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural. Foi criado e incorporado à Epagri em 22 de junho de 2005. Substitui o Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Instituto Cepa/SC), em decorrência das ações da reforma administrativa do governo de Santa Catarina, mantendo os serviços e projetos realizados até então. A instituição que deu origem ao Cepa foi criada em 1975 como Comissão Estadual de Planejamento Agrícola e transformado em Instituto Cepa/SC em 1982, sendo vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Atuou por 30 anos nas áreas de informação e planejamento para a agricultura catarinense.

Epagri/Cepa - Centro de Estudos de Safras e Mercados
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