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ALHO |
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| BRASIL Epagri 2002 | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Aspectos Econômicos da Cultura do Alho
Admir Tadeo
de Souza |
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A oferta nacional, antes concentrada na Região Sul, apresenta-se com uma melhor distribuição. São produtores de vários estados da Federação participando do comércio nacional e dispostos a recuperar o mercado antes dominado por argentinos, chineses, espanhóis, mexicanos, etc. A tabela 1 mostra a área plantada, a produção e o rendimento médio das lavouras em cada estado brasileiro e seu significativo aumento, ocorrido principalmente nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, São Paulo e Distrito Federal, onde o aumento de produtividade, notadamente em razão do maior uso de tecnologias já consagradas, como utilização de semente de qualidade, vernalização, irrigação com pivô central e adensamento do cultivo, além da dedicação dos alhicultores, tem sido uma constante a cada nova safra. TABELA 1 - ÁREA, PRODUÇÃO E RENDIMENTO MÉDIO DE ALHO NO BRASIL NAS SAFRAS 2000 E 2001
FONTE: IBGE. Salutar para os produtores, para os consumidores e também para a economia nacional, tem sido a queda nos volumes das importações de alho. A cada ano é menor a dependência de alho de outros países e esta tendência, como se apresenta no gráfico 3, leva a crer que a tão almejada auto-suficiência esteja bem próxima, ou, quem sabe, se esteja até mesmo perto do início das exportações brasileiras de alho. Outro resultado positivo da crescente participação nacional no abastecimento interno tem sido a expressiva redução dos preços médios do produto internalizado. Há, em alguns casos, importações que tiveram suas cotações 40% menores (Tabela 2).
TABELA 2 - PREÇOS MÉDIOS
DAS IMPORTAÇÕES DE ALHO
FONTE: Secex/Decex.
Panorama Estadual As lavouras catarinenses apresentaram, na última safra, alguns problemas em decorrência de ações climáticas, determinando uma produção um pouco menor que a do ano anterior. O frio fora de época (que ocasionou a rebrota em muitas lavouras) e a chuva durante a fase de colheita (que obrigou os produtores a uma maior movimentação do produto durante a secagem) de certa forma inibiram a evolução da produção estadual na temporada e influíram diretamente na perda de qualidade do alho colhido no estado, fazendo com que boa parte da produção se destinasse à indústria. Mesmo assim, Santa Catarina continua sendo o segundo maior produtor nacional e aumentou de 23,7% para 25,9% sua participação na oferta brasileira do produto, além de ser o principal fornecedor de alho-semente para as regiões centrais do País. A tabela 3 mostra a área plantada, a produção e a produtividade das lavouras no estado, bem como a vertiginosa queda em 1995, por ocasião da entrada de alho chinês no mercado nacional, sem restrições quanto a volumes e época de internalização. Mostra, também, a notável recuperação da produção e do rendimento médio das lavouras, cuja performance é atribuída à dedicação dos produtores, graças à constante preocupação dos órgãos de pesquisa estadual, da Associação Nacional e Catarinense dos Produtores, da Cooperativa dos Produtores de Alho e do Serviço de Extensão Rural do estado, em incentivá-los no uso das novas tecnologias disponíveis. TABELA 3 - ALHO - EVOLUÇÃO DA ÁREA, PRODUÇÃO E RENDIMENTO MÉDIO EM SANTA CATARINA (1994-2001)
FONTE: IBGE. O mercado não apresentou, em termos de valores de comercialização, a notável recuperação constatada no ano 2000, como se pode observar no gráfico 4, porém remunerou satisfatoriamente ao produtor e foi altamente positiva na rapidez do escoamento da produção. Em poucos meses se deu a venda da quase totalidade do alho produzido no estado.
Quando se comparam os custos de produção do alho de maio/97 com o de fevereiro/02, verifica-se que o custo variável foi o que mais aumentou (34,76%), enquanto a variação no custo fixo foi quase a metade (15,19%), conforme o gráfico 5. Tais percentuais foram bastante inferiores às variações ocorridas nos índices inflacionários do País para o mesmo período - IGP-DI, cuja variação foi de 74,70%, e do IGPM, 76,03%, ambos calculados pela Fundação Getúlio Vargas.Os aumentos nos custos de produção, portanto, estiveram abaixo da inflação do período.
Da mesma forma, comparando as variações nos custos de produção acima colocados com o Índice de Preços Recebidos (IPR) pelos produtores catarinenses de alho, que variou 39,69% no período maio/97-fev/02, verifica-se que esta variação foi bastante semelhante à dos custos. Desse modo, pode-se concluir que estes produtores, especificamente, tiveram um ganho, embora pouco significativo, com a venda de seus produtos neste período (Gráfico 6).
Contudo, quando se compara a variação do mesmo IPR (114,29%) com a variação do Índice de Preços Pagos (121,51%) – IPP - pelos produtores de alho desde agosto/94, já se observa uma pequena perda financeira para aqueles produtores. Esta perda, entretanto, é inexpressiva, em relação à de outros produtos, como o arroz e a mandioca, por exemplo. Para visualizar estes dados, basta consultar as tabelas específicas do IPP e IPR que constam nesta publicação. A participação do valor bruto da produção (VBP) da cultura na formação do VBP estadual - após uma queda brusca em 1995, em função da redução na área plantada, decorrente das importações do produto - tem sido crescente desde 1995, com uma aumento expressivo em 1999. Em 2000, houve uma pequena diminuição na participação do VBP do alho, devido a fatores climáticos que afetaram sua produção, tornando-a um pouco menor que a produção do ano anterior (gráfico 7).
Para a próxima temporada, tendo em vista os preços de mercado e as facilidades de venda; o declínio dos volumes importados e o maior controle governamental sobre essas importações; a maior qualidade de nossa produção e, em conseqüência, a maior competitividade para o setor, os produtores catarinenses e brasileiros deverão estar mais motivados e dispostos a investir mais na atividade. Em Santa Catarina, a expectativa inicial é de um aumento na área plantada em cerca de 10%, devendo chegar a pouco mais de 3.000 hectares, o que poderia elevar a produção estadual para cerca de 24 mil toneladas.
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